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Cearense grávida internada com Covid-19 segura filha pela primeira vez 51 dias
11 de julho de 2020 às 09:08
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Maria Lurdiany, 36, precisou ter forças para superar um dos momentos mais difíceis de sua vida. Grávida de sete meses, a comerciante cearense ficou mais de 50 dias internada e quase 20 em coma após evoluir para um quadro grave de Covid-19. Esperando a chegada da pequena Diany Hadassa, que veio ao mundo em 21 de maio, Lurdiany só conheceu o rosto de sua bebê 43 dias depois do nascimento, de forma virtual. Apenas no dia 7 de julho, a mãe pôde, finalmente, segurar a filha nos braços pela primeira vez. “Fiquei emocionada e chorei”, conta.

Residente na cidade de Ubajara, na região Norte do estado, ela deu entrada no Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral, com sintomas fortes da Covid-19. Por conta do estado grave da doença, a comerciante precisou ser reanimada pelos profissionais e passar por um parto de emergência, em 21 de maio, quando nasceu a pequena Diany, às 17h. “Tive o privilégio de poder vê-la pessoalmente, na ocasião em que recebi alta do hospital”, lembra.

Na última terça-feira (7), Lurdiany recebeu alta da unidade e agora se recupera em casa, enquanto aguarda a recuperação da filha, que segue internada na Unidade de Cuidados Intensivos do HRN. A saudade não cabe no peito. “Estou aguardando com grande expectativa o dia de poder ver minha filha pessoalmente outra vez e de poder trazê-la para nossa casa”.

Gestação pode aumentar riscos, diz médica

A criança não foi infectada pelo novo coronavírus e está sendo acompanhado pelas equipes da unidade, sendo nutrida com apoio do banco de leite do hospital. “A bebê continua internada e apresenta um quadro de melhora diária. Ela deve ser estimulada, quando receber alta, por uma equipe multiprofissional por conta do nascimento prematuro, que foi necessário para a melhora da mãe”, ressalta a médica obstetra do HRN, Eveline Valeriano.

A médica lembra que a gestação é um fator de risco de complicação nos casos da Covid-19. “Pesquisas iniciais indicavam que pacientes no ciclo gravídico puerperal não pareciam ter maior risco de desenvolver sintomas graves pela Covid-19. Mas surgiram publicações mais recentes afirmando que pode sim aumentar os riscos tanto para mães como para os bebês”, explica. Segundo ela, uma das explicações pode ser a imunodepressão da paciente, própria do período, que leva a modificações fisiológicas no organismo materno.

Cearense ficou mais de 50 dias internada com Covid-19 e conheceu a filha de forma digital somente após o parto.  — Foto: Divulgação/Hospital Regional Norte

Cearense ficou mais de 50 dias internada com Covid-19 e conheceu a filha de forma digital somente após o parto. — Foto: Divulgação/Hospital Regional Norte

“Lurdiany foi internada com sintomas de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com falta de ar, necessitando ser entubada. A rápida decisão médica para realizar o parto permitiu a recuperação dela. Foi necessário também que a mãe permanecesse alguns dias internada em UTI e depois na clínica médica para que a alta fosse segura”, diz Eveline. A especialista afirmou, ainda, que até 15 dias pós-parto pode haver piora clínica. Por isso, a paciente deve ter a resposta pulmonar e todos os sinais vitais avaliados constantemente.

“Felizmente, alcançamos sucesso. Era um caso muito difícil pela gravidade. Todos nós, do corpo clínica do Regional, ficamos gratos”, destaca a médica.

Parto de emergência

Vileimar Alves, pai da pequena Diany Hadassa, conta que a esposa começou a sentir os sintomas da Covid-19 em 8 de maio. O quadro clínico foi se agravando de forma rápida. “No dia seguinte, a gente já foi ao hospital de Ubajara e depois pro São Camilo, em Tianguá. Depois, ela foi transferida para a emergência do Regional Norte e chegou a ficar entubada durante 19 dias”, recorda. “Os médicos não escutavam o coraçãozinho da nossa filha. Falaram que precisavam fazer uma cirurgia de urgência e que a neném poderia até não sobreviver”.

Felizmente, os procedimentos bem-sucedidos e ambas seguem se recuperando bem. “Agora, minha esposa está tratando as sequelas da doença, que são graves. Por ela ser hipertensa, a Covid-19 agravou bastante o quadro. Viemos para casa, em Ubajara, terça-feira (7). A nossa filha ficou no hospital, mas todo dia recebo notícias da equipe do HRN. Vou ficar indo à unidade para vê-la uma vez por semana até que ela receba alta”.

G1

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