JPMotos
Suposto asteroide que atingiu Baturité tinha 500kg e estava a 100 mil km/h, afirmam astrônomos
27 de outubro de 2020 às 12:03
15
Visualizações

O objeto que entrou na atmosfera da Terra justamente sobre o céu do Maciço de Baturité, no Ceará, era uma rocha espacial de 500 kg e cerca de 70 cm de diâmetro, que viajava a mais de 100 mil km/h – velocidade que causou o grande estrondo ouvido por moradores de Baturité, Redenção, Pacoti, Mulungu, Palmácia e Guaramiranga, no último dia 10 de outubro. A informação é da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon).

O bólido avistado ao sul de Fortaleza e em outras cidades do Estado era  menor que um asteroide e foi registrado em vídeos, por cearenses, e captado pelo satélite geoestacionário GOES-16, da Nasa. Imagens obtidas pelo “Clima ao vivo” em Fortaleza também contribuíram para os estudos. O cruzamento e a análise das imagens e dos dados pelos cientistas Bramon e do Clube de Astronomia de Fortaleza (CASF) permitiram calcular tamanho, velocidade e a trajetória do “suposto asteroide”.

“A primeira detecção do bólido ocorreu quando ele estava a cerca de 60 km de altitude, sobre o município de Caridade. Ele seguiu na direção norte a 104 mil km/h, até desaparecer a cerca de 30 km de altitude sobre o município de Pentecoste. Esse trecho detectado pelo satélite tem 40 km de extensão e foi percorrido em 1,35 segundos, mas provavelmente ele foi visível por mais tempo antes e depois desse trecho, mas não gerou energia suficiente para ser detectado pelo satélite”, explica nota da Bramon.

Segundo Marcelo Zurita, diretor-técnico da Bramon, a queda de rochas espaciais na Terra, em geral, é comum, mas é raro que cheguem com uma velocidade tão alta como a do Ceará, o que causou o barulho de explosão ouvido pelos cearensesIsso só acontece, no mundo inteiro, a cada duas semanas.

“Não chegava a ser um asteroide, porque tinha diâmetro em torno de 60 cm, 70 cm, menor do que um metro, que é o mínimo para ser denominada assim. A grande energia gerada, o estrondo, foi por conta da velocidade”, explica.

Ao se chocar com a atmosfera, a rocha espacial se desintegrou completamente, de modo que não restaram meteoritos em solo cearense. “Se essa velocidade fosse metade, é provável que tivesse uns 50 kg de meteoritos espalhados por uma área enorme, em pedacinhos de alguns gramas. Um ou dois acima de 1kg. O risco pra quem está em solo é muito pequeno. Em toda a história recente, existe apenas um caso de pessoa seriamente ferida, nos EUA”, lembra.

A ocorrência e a documentação do fenômeno, porém, são importantes para o desenvolvimento científico.

“Mesmo tendo poucas imagens, fizemos um bom levantamento de dados cruzando informações de várias fontes. Fizemos uma estabilização parcial do vídeo pra tentar acompanhar a trajetória mesmo com a câmera se movendo, e por meio disso confirmamos a trajetória, com uma margem de erro de cerca de 4km. Para a ciência, pra Bramon, eventos como esse são importantes pra que a gente vá aprimorando a técnica”, conclui o astrônomo.

Causas

O tenente Romario Fernandes, especialista no ensino de Astronomia, diferencia os corpos celestes. “Quando um objeto ingressa na atmosfera e origina um fenômeno luminoso, chamamos de meteoro. Mas quando esse fenômeno é muito impactante, chamamos de bólido. Foi isso que aconteceu em Baturité”, avalia o estudioso.

Ainda de acordo com o especialista, a dispersão da rocha aconteceu por conta das altas temperaturas do corpo ao entrar na atmosfera terrestre.

“O objeto segue em direção ao solo com a aceleração decorrente da força gravitacional da terra. Isso significa que a cada segundo a velocidade do corpo aumenta 36 km por hora. Isso gera calor porque está em atrito com a atmosfera. É uma temperatura muito quente. Eles ou vaporizam ou viram fragmentos muito pequenos”, conclui Romário.

No entanto, o som alto percebido pelos moradores no Maciço de Baturité não é decorrente da evaporação do corpo rochoso, garante o tenente. “Possivelmente o objeto quebrou a barreira do som e gerou aquela onda de choque. Qualquer coisa que quebra a barreira, gera esse boom. O mais provável é que aquilo que as pessoas ouviram foi o momento em que o objeto quebrou a barreira do som”, indica.

Diário do Nordeste

ComentáriosComentários