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Polícia Ambiental apreende pássaros silvestres e arma em Milagres
11 de novembro de 2020 às 11:50
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A ação criminosa de caráter cultural (criatórios domésticos) e econômico (tráfico) contra aves da caatinga desafia a fiscalização no sertão cearense. Na terça-feira (10), no sítio Olho d’Água dos Cavalos, zona rural de Milagres, no Cariri, agentes do Batalhão de Polícia Militar Ambiental apreenderam uma arma de fogo e 11 pássaros silvestres.

Os policiais chegaram ao local após denúncia anônima de um morador da região, que informava sobre a criação de pássaros e a possibilidade de existência de armas no local.

Em uma das casas do sítio havia gaiolas com pássaros silvestres (galinha, galo de campina, canário da terra, bigodeiro, graúna, azulão e papa-arroz). Um dos moradores informou que não possuía autorização legal para a criação das aves. Após vistoria na casa em situação de flagrante, segundo Código Ambiental, policiais militares do batalhão ambiental localizaram um revólver calibre 32, sem identificação.

Os pássaros, a arma e o filho do proprietário, que não teve a identidade revelada, foram apresentados ao delegado de Polícia Civil de Milagres, Rogny Rodrigues Silva Filho.  As aves foram soltas em uma área de proteção ambiental na região do Cariri. O suspeito vai responder por prática de crime ambiente e posse de arma de fogo sem licença.

O responsável pela APA Chapada do Araripe, Carlos Augusto Alencar Pinheiro, pontuou que a “Floresta Nacional do Araripe e outras áreas do sertão sofrem pressão constante de desmatamento para fins de formação de pastagem, ampliação de áreas agrícolas e com essas ações os pássaros são impactados, diminui o número de exemplares”.

O desafio para os gestores é o reduzido número de agentes para fiscalizar uma área de um milhão de hectares, que inclui quatro unidades de proteção ambiental – APA Chapada do Araripe, Floresta Nacional do Araripe, Estação Ecológica de Aiuaba e Floresta Nacional de Negreiros, em Serrita (Pernambuco). São apenas sete fiscais.

Apreensão
Legenda: Muitos moradores da região do Cariri ainda mantêm o hábito de criar pássaros em gaiolas
Foto: Divulgação/Ibama

Para Alencar Pinheiro, muitos moradores ainda mantêm o hábito de criar pássaros em gaiolas. “A gente observa que entre as gerações novas, há uma relação diferente com a natureza”, comparou.

“O maior problema é o tráfico, uma ave pode ser vendida por quatrocentos reais, para criadores, colecionadores, pessoas ricas, que mantêm esse hábito”.
Diário do Nordeste
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