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Pandemia avança no Nordeste; Bolsonaro espera resultado de teste
13 de março de 2020 às 07:16
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A ameaça de saúde pública está ao lado do Ceará. Nesta quinta-feira, Pernambuco confirmou dois casos do novo coronavírus (Covid-19). Foi a primeira vez que o Estado vizinho apareceu no balanço do Ministério da Saúde, que anunciou um total de 77 pacientes diagnosticados oficialmente em nove estados e no Distrito Federal.

Agora, o vírus que desafia governos e cientistas do mundo inteiro foi detectado em três dos nove estados do Nordeste. Além de Pernambuco, a Bahia tem três casos, enquanto Alagoas notificou um.

Com 42, São Paulo tem o maior número de infectados no País. Depois, aparecem Rio de Janeiro (16), Paraná (6), Rio Grande do Sul (4), Distrito Federal (2), Minas Gerais (1) e Espírito Santo (1).  Segundo a Pasta, o Brasil tem 1.422 casos suspeitos, a maioria deles (704) no Estado de São Paulo.

Pernambuco

Em Pernambuco, um passageiro passou mal a bordo de um cruzeiro, durante o desembarque no Porto do Recife, e, por causa de suspeita de transmissão do novo coronavírus, o navio foi isolado. O paciente, de 78 anos, é canadense e não teve o nome divulgado.

Eventos foram cancelados ou adiados no Grande Recife por causa do risco de disseminação da doença. Entre eles estão um espetáculo cultural, que marcaria o aniversário da capital pernambucana, a estreia da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, além de um encontro nacional de prefeitos e de um seminário da Justiça.

Em meio à crise provocada pela disseminação do coronavírus, a sexta viagem oficial do presidente Jair Bolsonaro ao Nordeste foi cancelada, nesta quinta. Ele iria a Mossoró (RN) para uma cerimônia.

O próprio presidente está com suspeita de ter contraído a doença e aguarda hoje o resultado do exame. A suspeita se deu depois da confirmação de que o secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, está com coronavírus, algo que alarmou até a Casa Branca, já que o presidente americano Donald Trump o encontrou em recente jantar.

Filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) realizou, nesta quinta, exames para saber se foi contaminado. O deputado integrou a comitiva brasileira que foi aos EUA na semana passada junto com Wajngarten.

Manifestações

Em transmissão ao vivo em rede social, usando máscara, Bolsonaro pediu, nesta quinta-feira à noite, para que as pessoas deixem de ir a manifestações pró-governo, no domingo. Ele também fez um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV e repetiu que a população repense a ida às ruas.

“Os movimentos espontâneos e legítimos, marcados para o dia 15 de março, atendem aos interesses da nação. Balizados pela lei e pela ordem, demonstram o amadurecimento da nossa democracia presidencialista e são expressões evidentes de nossa liberdade. Precisam, no entanto, diante dos fatos recentes, ser repensados. Nossa saúde e a de nossos familiares devem ser preservadas”, disse Bolsonaro.

Já o Ministério da Saúde publicou, nesta quinta-feira, no Diário Oficial da União, o edital para a contratação de 5.811 médicos no intuito de reforçar as equipes de saúde, neste momento da pandemia do novo coronavírus. A perspectiva é de que eles comecem a trabalhar em abril. Os profissionais serão admitidos por meio do programa Mais Médicos.

Esses profissionais deverão atuar em 1.864 municípios, além de 19 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Uma mudança foi a inclusão nesse grupo de cidades médias e grandes, uma vez que o Mais Médicos privilegiava cidades menores de regiões mais carentes. A contratação destes 5.811 médicos custará cerca de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.

Mundo

O número de casos do novo coronavírus no mundo excedeu 130.000, com mais de 4.900 mortes em 116 países e territórios. No total, 131.479 pessoas foram infectadas e 4.925 morreram. O aumento deve-se, em especial, a casos confirmados na Itália, o segundo país mais afetado depois da China.

As autoridades italianas registraram 2.651 novos casos nas últimas 24 horas, totalizando 15.113 pessoas contaminadas e 1.016 mortes.

Nesta quinta-feira, novamente, diversos países divulgaram medidas para conter a pandemia. O Governo argentino decidiu suspender voos internacionais das áreas mais afetadas pelo novo coronavírus por 30 dias, quando as três primeiras infecções foram registradas no País e totalizaram 31 casos positivos, um deles já falecido.

A primeira-ministra belga, Sophie Wilmès, anunciou fechamento de escolas, bares e restaurantes, e a proibição de aglomerações de pessoas “de qualquer tamanho”.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também decidiu ordenar o fechamento de escolas e universidades a partir da próxima semana.

Nos EUA, o Estado de Nova York proibiu todos os eventos para mais de 500 pessoas, incluindo shows da Broadway, anunciou o governador Andrew Cuomo, chamando essas medidas de “dramáticas”.

Preocupados com o bloqueio na Europa, os turistas americanos correram para os aeroportos de Paris e Londres nesta quinta-feira para voltar ao seu país, após o anúncio surpresa de Trump de proibir a entrada de europeus nos EUA por causa do coronavírus.

Considerada a maior da América Latina, a companhia aérea chileno-brasileira Latam anunciou, nesta quinta-feira, que reduzirá seus voos internacionais em 30%, devido à menor demanda e a restrições de viagens impostas pelos governos. Já todas as escolas, universidades e centros culturais vão fechar as portas na República da Irlanda, a partir de hoje e até 29 de março.

Prefeitos

Uma articulação dos principais municípios brasileiros, do Governo Federal e do Congresso Nacional resultou em uma agenda de fortalecimento das ações contra o avanço do coronavírus no País. As medidas vão desde o reforço de R$ 1 bilhão em recursos federais aos municípios; 5.811 vagas do Programa Mais Médicos; ampliação do horário de atendimento dos postos de saúde; habilitação de leitos de UTI e articulação para liberar um total de R$ 7 bilhões em recursos que estão em saldo de conta, mas contingenciados, das prefeituras para custeio da Saúde.

A preocupação com o avanço do coronavírus no País transformou o encontro da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), nesta quinta-feira, em Florianópolis, em um fórum de debates sobre o assunto. O encontro reuniu gestores das capitais e de grandes centros urbanos do País. Representando Fortaleza, o prefeito Roberto Cláudio informou que algumas medidas já estão alinhadas com o Governo Federal, como a contratação dos Mais Médicos, por exemplo.

“O Governo liberou, que estava contingenciado, o programa Mais Médicos. Então, mais de cinco mil novas vagas serão preenchidas. Esses médicos devem tomar posse até 7 de abril”.

Apesar de maioria dos estados e municípios brasileiros não ter casos confirmados, Roberto Cláudio destacou a importância da articulação dos prefeitos em busca de medidas para conter o avanço do vírus. “Não temos casos confirmados de coronavírus no Ceará, mas é uma articulação importante para a prevenção do problema. Em Fortaleza, já temos um plano de contingência já apresentado. Vamos chamar 80 médicos do Médico da Família Fortaleza ainda em março, reforço nas equipes das UPAs e um plano de contingência com o Governo do Estado para combater o problema”, afirmou o gestor da Capital.

Já o Ministério Público do Ceará (MPCE) notificou, nesta quinta-feira, todos os prefeitos do Estado para que eles apresentem planos municipais de contingência contra o coronavírus. O órgão estabeleceu prazo de 48 horas para que as medidas sejam entregues pelos gestores. Nesta quinta-feira, a vice-procuradora-geral de Justiça, Ângela Gondim, e o titular da Secretaria da Saúde do Ceará, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, debateram o assunto.

Diário do Nordeste

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