Ceará tem pelo menos 6 Câmaras com vereadores alvos de investigação por envolvimento com facções
A suspeita de envolvimento com uma facção criminosa resultou na prisão de três vereadores de Sobral, nessa terça-feira (11), durante a Operação Omertá. Além de presos, eles também foram afastados do mandato na Câmara Municipal de Sobral. São eles: Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União Brasil) e Junim do Povo (Podemos).
Um quarto parlamentar, Marlon Sobreira (PP), foi alvo de mandado de busca e apreensão, embora não tenha sido detido. Por enquanto, o Ministério Público do Ceará (MPCE) ainda não divulgou qual a participação dos vereadores na dinâmica criminosa.
A investigação, e prisão, dos vereadores significa que, dos eleitos para o legislativo municipal em Sobral, quase 20% estão sob suspeita de envolvimento com facções criminosas. A investigação aponta a possibilidade de interferências no processo eleitoral de 2024 e de 2026.
O problema não é exclusividade de Sobral. No Ceará, pelo menos seis câmaras municipais foram afetadas quando investigações sobre facções criminosas apontaram o envolvimento de parlamentares. Prisões, cassações, afastamentos e até recontagem de votos estão entre as consequências que atingiram as casas legislativas municipais.
O caso mais sério é em Morada Nova, onde seis vereadores foram presos por suspeita de terem tido a campanha eleitoral financiada, de forma ilícita, pela facção Guardiões do Estado (GDE). Eles também foram afastados do cargo.
Vereadores de Canindé e Tejuçuoca também foram alvo de mandados de prisões em investigações semelhantes. Em alguns casos, no entanto, não foi divulgada a organização criminosa que teria ligação com o parlamentar.
Outros casos envolvem decisões da Justiça Eleitoral. Também em Canindé, uma vereadora teve o mandato cassado por suspeita de ligação com integrante de facção. Em Iguatu, houve a recontagem de votos depois que um suplente de vereador teve os votos anulados por suposto envolvimento com facção criminosa.
Já em Fortaleza, um suplente de vereador, que exercia mandato no momento da decisão, chegou a ser cassado pela Justiça Eleitoral, mas teve o afastamento revertido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).
Entenda as investigações:
Sobral
Foram cumpridos, nesta terça, 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão e 5 medidas de afastamento cautelar de cargos públicos durante a Operação Omertá, que apura a interferência de facção criminosa no processo eleitoral de Sobral, tanto em 2024 como agora, em 2026.
Nessa operação, três vereadores de Sobral tiveram decretadas suas prisões preventivas e o afastamento do exercício dos mandatos pelo prazo inicial de 180 dias.
O colunista Inácio Aguiar confirmou que os três parlamentares presos foram Carlos do Calisto, Mário Vicktor e Junim do Povo. Além deles, o vereador Marlon Sobreira foi alvo de mandado de busca e apreensão. Até o momento, o PontoPoder não localizou a defesa dos vereadores. O espaço está aberto para pronunciamentos.
O processo é sigiloso e não foi divulgado qual a participação dos vereadores na dinâmica criminosa. Segundo as investigações, a organização cobrava “pedágios” de até R$ 60 mil, em Sobral, para candidatos acessarem determinados territórios do município em campanha de rua durante a campanha eleitoral de 2024.
O valor variava conforme o capital político dos candidatos interessados. Para os detentores de mandatos, o montante a ser pago, à época, era de
R$ 60 mil. Já para os postulantes estreantes em disputa eleitoral, a cobrança ficava pela metade, em torno de R$ 30 mil.
Aliado aos “pedágios”, a facção criminosa também fazia ameaças a eleitores. As autoridades policiais não divulgaram qual facção criminosa é investigada.
“O que me parece ser fundamental a partir dessa operação é o recado claro e objetivo: quem for candidato ou trabalhar com campanha eleitoral não deve se submeter a esse tipo de extorsão. É para isso que existem polícia, Ministério Público e Justiça”, disse o promotor Igor Pinheiro, coordenador do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) do Ministério Público do Ceará (MPCE).
Câmara de Sobral acompanha o caso
A Câmara de Sobral se manifestou quanto ao caso através do Instagram nesta terça-feira (11). Em nota, a entidade informou ter tomado ciência do ocorrido ainda durante a manhã e disse estar acompanhando os desdobramentos para adotar “as providências administrativas e institucionais que eventualmente se fizerem necessárias”.
Diário do Nordeste
